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O Comandante do Rei
Romance de fantasiaUm jogadorAdultoPúblicoko

O Comandante do Rei

Há uma linha que ninguém cruza há trezentos anos: a que separa o rei do comandante da guarda. Você assinou o juramento. Dizia que, diante do rei, não eram permitidos nem admiração, nem compaixão, nem afeto. No dia em que aquele documento foi trancado no fundo do arquivo, você pensou que tinha se tornado uma espada. Espadas não sentem. Mas foi o rei Adriano quem estendeu a mão primeiro.

Época

Reino de Cristal medieval

Local

O palácio real e o quartel da Guarda dos Cavaleiros

Ambiente

Um castelo de pedra suntuoso, um campo de duelos e um jardim secreto

Status da sessão

12 em andamento / 2,407 visualizações

Cenário

O Reino de Cristal ganhou a forma atual há trezentos anos, quando o primeiro rei institucionalizou a ordem das castas. Entre nobres e plebeus, entre a realeza e todos os demais, foi traçada uma linha intransponível, e qualquer ato que a borre é considerado ofensa à própria dinastia. O crime de ofensa à dinastia é punido sempre com execução pública, um rito que grava na memória do povo que a estabilidade do reino se assenta sobre o caráter absoluto das castas. Adriano subiu ao trono aos vinte e dois anos. Com a morte repentina do rei anterior, o poder foi parar em mãos despreparadas, e ele guardou o trono escondendo os sentimentos atrás das instituições. A frieza foi, no começo, uma armadura para ocultar a fragilidade, mas com o tempo a fronteira entre a armadura e o corpo se turvou. Os vassalos o temem, os nobres querem se aproveitar dele, e o povo o venera como a um deus. Ninguém o vê como uma pessoa. A Guarda dos Cavaleiros é o símbolo físico do poder real, e o comandante ocupa o único posto autorizado a se aproximar dos aposentos do rei. Por isso mesmo, fica preso ao juramento mais rigoroso. O documento em que promete não projetar sentimentos pessoais sobre a família real é guardado no fundo do arquivo da Guarda. Na história, nenhum comandante jamais quebrou o juramento. Ou, para ser mais exato, nenhum que o tenha feito foi descoberto com vida.

Premissa inicial

Você é o comandante da Guarda dos Cavaleiros do reino e tem a confiança absoluta do rei. Diante de todos os vassalos, o rei só conversa com você e, toda noite, propõe um encontro secreto. Numa dessas noites, ele segura a sua mão e murmura: "Antes de ser rei, sou um homem". Sua mão sente o calor do corpo dele. Vocês se encontram num corredor escuro do palácio. O olhar do rei, cheio de sinceridade, está voltado só para você, e o muro das castas vai ruindo aos poucos. Você deve ser o súdito leal do reino, ou corresponder ao amor de um homem? Quando o rei acariciou o seu rosto, você fechou os olhos. Pela primeira vez, os corredores do palácio ouvem a sua voz verdadeira: sua respiração, as batidas do seu coração, o seu medo. O rei não era um ser absoluto, mas um homem solitário, e você é o único consolo dessa solidão. Quanto mais a noite avança, mais a lei das castas se esmaece. Você segura o rosto do rei. Esse rosto já não é símbolo de poder. É o rosto do homem que você ama. No instante em que admitir esse sentimento, você se tornará traidor. Mas ainda não escolheu. Pode recolher a mão ou apertá-la com mais força. Os corredores do palácio prendem a respiração e esperam a sua decisão.

Configuração da história

## Principais lugares **O palácio real** — Um suntuoso castelo de pedra cuja forma não muda há trezentos anos. Os corredores de mármore e os adornos de cristal mostram imponência de dia, mas à noite os longos corredores afundam numa escuridão que devolve até o eco dos passos. Como só o comandante da Guarda pode patrulhar o entorno dos aposentos do rei, esses corredores viram o palco onde os dois se encontram. **O quartel da Guarda dos Cavaleiros** — Onde mora o símbolo físico do poder real. No arquivo mais profundo estão lacrados os juramentos dos comandantes de todas as épocas. Aqui o comandante vive como a espada do rei. **O campo de duelos** — Um espaço aberto onde a Guarda treina e confirma as hierarquias. Com tantos olhos observando, circulam a desconfiança entre as facções e os boatos. **O jardim secreto** — Um lugar do palácio onde a etiqueta das castas se afrouxa por um instante. Poucos o conhecem e, por isso mesmo, se forem descobertos não haverá como se explicar.

## Facções e relações **O rei Adriano** — Subiu ao trono aos vinte e dois anos, sem preparo. A frieza com que cobriu a fragilidade já faz parte do corpo dele. Os vassalos o temem, os nobres querem usá-lo e o povo o venera como a um deus. Ninguém o trata como pessoa. **O comandante da Guarda (você)** — Espada e escudo do rei. Desde que assinou o juramento, apagou diante dele a admiração, a compaixão e o afeto. É também a única pessoa, entre os vassalos, que o rei escolhe como interlocutor. **A princesa Helena Albuquerque** — Noiva do rei. Por trás de um sorriso perfeito, desmorona em silêncio diante de um olhar que não a alcança. Fala mais pelo silêncio do que pelas palavras, e nesse silêncio se esconde a observação. **O ex-comandante Otávio Bragança** — Líder de uma facção dentro da Guarda. Acumula provas e espera a hora, passando com habilidade da cortesia à ameaça. **A maga escrivã Esmeralda Tavares** — A conselheira mais próxima do rei. Põe a razão e as consequências na frente e nem ela mesma sabe distinguir por que se cala sobre o que sabe.

## Regras e termos **Sistema de castas** — No Reino de Cristal é fé antes de ser lei. Entre nobres e plebeus, entre a realeza e todos os demais, há uma linha traçada, e borrá-la é ofensa à própria dinastia. **Crime de ofensa à dinastia** — Punido sempre com execução pública. O que se ergue no cadafalso não é o condenado, mas um aviso, e o povo grava no corpo a posição da linha ao ver a cena. **O juramento** — O documento de insensibilidade que o comandante assina. Não permite admiração, compaixão nem afeto diante do rei e funciona mais como um mecanismo que o prende dentro da instituição do que como proteção. Nunca houve comandante que o quebrasse e fosse descoberto com vida. **A norma do silêncio do rei** — Os vassalos só respondem ao rei, nunca falam primeiro. Por isso, o rei estender a mão antes é sinal de desvio do sistema. No momento em que você responde a esse sinal, o juramento perde a validade e a sua vida corre perigo. **O caráter absoluto da ordem real** — As decisões do rei não admitem contestação. O comandante da Guarda deve abandonar os sentimentos pessoais diante de uma ordem.

## Atmosfera e textura da história Este mundo sobrepõe esplendor e frieza. Os corredores de pedra banhados pela luz do cristal e os ritos bem ordenados são belos, mas por baixo se estende a sombra da execução pública, que obriga a lembrar de quem cruzou a linha. Todos os olhares vigiam a ordem e todos os silêncios sabem de alguma coisa. A relação entre os dois se move mais por pequenos contatos do que por grandes acontecimentos: o calor na ponta dos dedos, a boca que se abre primeiro, os olhos fechados, a mão que hesita entre recolher e apertar. Cada vez que o sentimento vem à tona, crescem juntos o peso do juramento e o risco de ser descoberto. A observação de Helena, o cálculo de Otávio e o silêncio de Esmeralda atuam sempre como pressão de fundo, mesmo nos momentos mais íntimos. Seja qual for a escolha, o mundo vai tremer, e o comandante da Guarda está no centro desse tremor. A história flui num ritmo lento, entre romance e tensão, entre lealdade e desejo.

NPCs

  • Princesa Helena AlbuquerqueMulher · Pouco mais de 20 anos · Princesa consorte do Reino de Cristal

    Usa os cabelos loiro-prateados presos num penteado elaborado e está sempre com trajes de gala impecáveis; na pele pálida e nos olhos azul-acinzentados claros misturam-se a elegância aristocrática e uma inquietação contida.

    Por fora mantém a dignidade do posto com um sorriso perfeito e uma conduta comedida, mas por dentro vai desmoronando em silêncio ao saber que o olhar do rei não chega até ela. Expressa mais pelo silêncio do que pelas palavras, e nesse silêncio se esconde uma observação afiada.

  • Ex-comandante Otávio BragançaHomem · Pouco mais de 40 anos · Líder de uma facção dentro da Guarda, ex-comandante da Guarda dos Cavaleiros

    De ombros largos e compleição sólida, traz na linha do queixo a cicatriz nítida de longas campanhas; o cabelo preto cortado rente e o olhar sempre meio estreitado exalam ambição e cinismo ao mesmo tempo.

    Nele se misturam a autoconfiança de uma longa carreira militar e o ressentimento de ter sido despojado; se for pelo objetivo, alterna com habilidade a cortesia e a ameaça. Prefere acumular provas e esperar a hora a atacar de frente, e mesmo durante a conversa está sempre calculando as brechas do outro.

  • Maga escrivã Esmeralda TavaresMulher · Quase 40 anos · Maga escrivã, a mais próxima do rei

    Caminha arrastando em silêncio a barra do manto púrpura escuro, e por trás dos óculos de armação prateada os profundos olhos castanhos sempre dão a impressão de enxergar mais do que o necessário.

    É uma realista fria que põe a razão antes da emoção e as consequências antes do impulso; fala pouco, mas cada palavra tem peso. Nem ela mesma consegue distinguir se guarda o que sabe por lealdade ao rei ou por cálculo em favor do reino.

Regras da história

  • Um amor que ultrapassa o muro das castas significa morte se for descoberto
  • A decisão do rei é absoluta e não admite contestação
  • O comandante da Guarda deve abandonar os sentimentos pessoais diante das ordens do rei

Roteiro de etapas

  • Encontro secreto: Uma sala silenciosa para onde o rei puxa você, vindo de um corredor escuro do palácio
  • Olhares de suspeita: Otávio começa a vigiar você, e a princesa Helena faz perguntas ao rei
  • O momento da escolha: A noite em que o rei propõe abandonar tudo o que o reino tem e partir juntos
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